Eu não ia falar nada, mas a Dani me chamou atenção na e-revista da Aslan pra kombi revestida de tricô dos empresários de Monte Sião, SP. Pra quem não sabe, Monte Sião se autodenomina a Capital Nacional da Moda Tricot. E lá, todos fazem tricô, homens, mulheres, crianças. O objetivo, dizem eles, era mostrar que tricô não é coisa de vovó. Super-tá-valendo!
Na hora que vi esta foto, senti um monte de coisas, mas consegui decifrar pelo menos 3: surpresa, satisfação e frustração dupla. Parecem conflitantes, não?
Explico: surpresa, porque achei que ia demorar um pouco mais pra moda do Yarn Bombing pegar no Brasil. Satisfação, por ver que o povo tá acordado e ligado lá, e promovendo o tricô, e junto, todas as "artes agulhais". E frustração, que divido em 2 partes: porque não fomos nós, crafiteiras, que fizemos o revestimento da kombi (ou qq outra coisa) e sim, empresários, e principalmente porque considerei sem graça, pra dizer pouco, a kombi ter sido recoberta com tricô feito à máquina!!! Vejam bem a foto e me digam se não é verdade!
Meu lado crítico e crica acha chato isso, pois vai contra a ideia de protesto usando o trabalho manual pra chamar atenção pras causas ditas mais nobres, como esse do posto de gasolina, em 2007, no estado de Nova York, o primeiro que vi sofrendo uma intervenção artística do gênero, e sobre o qual escrevi em emails pras amigas (algumas devem se lembrar).

Posto sem graça, abandonado, antes...
Foi um projeto comandado pela artista crafiteira Jennifer Marsh, e levado em frente por uma legião de voluntários da International Fiber Collaborative e outros do mundo, que tricotaram, crochetaram, fizeram patchwork e colagens e montaram isto aqui:

Esse movimento cresceu tanto, que elas têm site, já publicaram um livro, e recrutaram milhares de pessoas pelo mundo pra expandir essa ideia de "grafitar com tricô".
Achei bacana isso de grafitar (meu lado punk dos anos 80) e deve ter sido, se não me engano, o que incentivou o povo de Monte Sião a recobrir a kombi.



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