sexta-feira, 24 de julho de 2009

Yarn bombing

Kombi revestida de tricô

Eu não ia falar nada, mas a Dani me chamou atenção na e-revista da Aslan pra kombi revestida de tricô dos empresários de Monte Sião, SP. Pra quem não sabe, Monte Sião se autodenomina a Capital Nacional da Moda Tricot. E lá, todos fazem tricô, homens, mulheres, crianças. O objetivo, dizem eles, era mostrar que tricô não é coisa de vovó. Super-tá-valendo!

Na hora que vi esta foto, senti um monte de coisas, mas consegui decifrar pelo menos 3: surpresa, satisfação e frustração dupla. Parecem conflitantes, não?

Explico: surpresa, porque achei que ia demorar um pouco mais pra moda do Yarn Bombing pegar no Brasil. Satisfação, por ver que o povo tá acordado e ligado lá, e promovendo o tricô, e junto, todas as "artes agulhais". E frustração, que divido em 2 partes: porque não fomos nós, crafiteiras, que fizemos o revestimento da kombi (ou qq outra coisa) e sim, empresários, e principalmente porque considerei sem graça, pra dizer pouco, a kombi ter sido recoberta com tricô feito à máquina!!! Vejam bem a foto e me digam se não é verdade!

Meu lado crítico e crica acha chato isso, pois vai contra a ideia de protesto usando o trabalho manual pra chamar atenção pras causas ditas mais nobres, como esse do posto de gasolina, em 2007, no estado de Nova York, o primeiro que vi sofrendo uma intervenção artística do gênero, e sobre o qual escrevi em emails pras amigas (algumas devem se lembrar).


Posto sem graça, abandonado, antes...




Foi um projeto comandado pela artista crafiteira Jennifer Marsh, e levado em frente por uma legião de voluntários da International Fiber Collaborative e outros do mundo, que tricotaram, crochetaram, fizeram patchwork e colagens e montaram isto aqui:

e depois de recoberto!
Uma coisa maravilhosa. E talvez tenha chamado tanta atenção por ser lindo, que a causa ficou em 2o. plano: a dependência de petróleo e energia do mundo.
Já o pessoal da Yarn Bombing tem o seguinte slogan: "Improving the landscape one stitch at a time". Ou seja, fazem intervenções por cidades pra embelezar, trazer alegria e chamar a atenção pra coisas simples do dia-a-dia de quem vive numa cidade e já tá meio "teflon".
E tudo começou quando Magda Sayed, no Texas, simplesmente cobriu o trinco (!!) da porta da sua loja de roupa de tricô.



Esse movimento cresceu tanto, que elas têm site, já publicaram um livro, e recrutaram milhares de pessoas pelo mundo pra expandir essa ideia de "grafitar com tricô".
Vale qualquer propriedade pública: poste, árvore, corrimão, hidrante, semáforo.

Achei bacana isso de grafitar (meu lado punk dos anos 80) e deve ter sido, se não me engano, o que incentivou o povo de Monte Sião a recobrir a kombi.


Ônibus grafitado com tricô - sem receita!
Juntar tricô ou crochê à mão + protestar = embelezar!
As pessoas que fazem isso são chamadas carinhosamente de "bombers".
Uma amiga, a Ana Paola, tinha me convocado pra fazer isso em SP, juntar pessoas porque a cidade tá precisando...
E aí, alguém se dispõe?
Bombers wanted!!!

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